Nada do que eu fui me veste agora, sou toda gota, que escorre livre pelo rosto e só sossega quando encontra a tua boca. E mesmo que em ti me perca, nunca mais serei aquela que se fez seca, vendo a vida passar pela janela.
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!
